O episódio que mistura mistério, medo e ufologia na Amazônia
Imagine uma pequena comunidade ribeirinha no Pará em 1977, onde, no meio da noite, pessoas relatam luzes estranhas no céu que parecem descer como se “sugassem” a energia ou até o sangue de quem estava do lado de fora. Não é cena de ficção: foi exatamente isso que moradores de Colares e outras localidades no norte do Brasil relataram naquele ano. Esse fenômeno ganhou nomes como chupa-chupa e luz vampira e acabou atraindo a atenção das Forças Armadas.
O resultado foi a chamada Operação Prato, um dos episódios mais instigantes da ufologia brasileira — ao mesmo tempo documentado e envolto em mistérios. Mais de quatro meses de investigações, centenas de páginas de relatórios, fotografias e horas de filmagens foram produzidas e, por décadas, mantidas em arquivos oficiais.

Quando tudo começou: medo e relatos surpreendentes
No segundo semestre de 1977, moradores de Colares, Vigia, Mosqueiro e outras áreas próximas a Belém começaram a relatar encontros com objetos luminosos que apareciam à noite. Não era apenas a presença de luzes — muitos afirmaram ter sido atingidos por feixes que deixavam marcas, queimaduras e sintomas físicos como tontura, febre e anemia. A psiquiatra Wellaide Cecim Carvalho, que atuava na região à época, descreveu casos que lembravam duas perfurações paralelas na pele, como se algo tivesse tocado as vítimas com precisão curiosa.
O medo cresceu rapidamente. Famílias acendiam fogueiras, batiam panelas e soltavam fogos para tentar afastar as luzes misteriosas. Uns rezavam, outros usavam armas e ferramentas improvisadas, acreditando que havia alguma força sobrenatural ou até castigo divino em ação.
Diante da pressão social e da quantidade de relatos, o prefeito da cidade de Colares pediu ajuda oficial. Foi então que a Força Aérea Brasileira (FAB) montou um esquema de investigação, que ganhou o codinome oficial de Operação Prato.

Dentro da Operação: quem foram os protagonistas?
A investigação não foi algo amador. Liderada pelo comandante Capitão Uyrangê Hollanda e envolvendo dezenas de militares, o grupo partiu de Belém para a região com equipamentos básicos à época: câmeras fotográficas com lentes teleobjetivas, gravadores, binóculos e até um teodolito meteorológico para medir posições no céu.
Importante lembrar do contexto: isso tudo aconteceu durante a ditadura militar no Brasil, quando haveria forte interesse em controlar informações consideradas sensíveis ou “não convencionais”. Isso explica em parte a forma como os documentos oficiais foram tratados por décadas.
Ao longo dos meses, os integrantes da Operação registraram avistamentos, coletaram dezenas de depoimentos de moradores que juravam ter visto formas não identificadas no céu e até testemunharam fenômenos que, até hoje, dividem opiniões. Alguns relatos descreviam objetos silenciosos, luminosos e com movimentos inesperados; outros iam além e mencionavam figuras que pareciam humanoides — tudo sem nenhum aparato tecnológico sofisticado para rastrear esses eventos.
O fenômeno e o legado nos dias de hoje
Quando a Operação oficialmente terminou, no fim de 1977, muitos dos documentos e registros foram mantidos sob sigilo. Relatórios, fotos, filmes em Super-8 e horas de gravações foram arquivados. Parte desse material começou a emergir a partir dos anos 1990, quando ufólogos e pesquisadores tiveram acesso a relatórios e imagens parciais.
Apesar da riqueza documental, nenhum consenso definitivo foi alcançado. Cientistas tradicionais tendem a descartar explicações extraterrestres, relacionando os relatos a fenômenos naturais mal compreendidos ou a interpretações errôneas das testemunhas. Por outro lado, há pesquisadores e entusiastas que veem na Operação Prato um dos casos mais impressionantes de investigação ufológica do século XX — justamente por envolver relatos consistentes de testemunhas, registros oficiais e sintomas físicos atribuídos aos chamados objetos voadores.
A Operação Prato se tornou, assim, terreno fértil para debates: será que documentos ainda não tornados públicos esconderiam algo maior? Há quem questione se parte das informações permaneceu classificada por motivos políticos. E você, o que acha? Será que a verdade está nos papéis oficiais, em histórias locais ou em algo ainda por descobrir?





