O Mistério da Sexta-feira 13: História, superstições e fatos

O Mistério da Sexta-feira 13: História, superstições e fatos. (Reprodução: Darkside)
(Reprodução: Darkside)

A ideia de que Sexta-feira 13 é um dia de azar faz parte do imaginário popular em várias partes do mundo — mas, curiosamente, essa superstição não é tão antiga quanto muitos imaginam. A ligação entre o dia e a “má sorte” só começou a se espalhar de forma mais visível há cerca de 100 anos — muito mais recente do que as lendas sugerem.

Especialistas em folclore afirmam que a crença como conhecemos hoje não era comum nas culturas antigas, e suas origens são difíceis de rastrear com precisão. Na verdade, a combinação de “sexta‑feira” com o número 13 só ganhou reputação como algo azarado no início do século XX, especialmente no mundo de língua inglesa.

Sexta-feira e 13: dois medos que viraram um

Sexta-feira

A ideia de que a sexta‑feira é azarada tem raízes muito mais antigas. Na Europa cristã medieval, a sexta era lembrada como o dia da crucificação de Jesus, e por isso era tradicionalmente um dia de penância e sofrimento — o que pode ter contribuído para sua imagem negativa ao longo do tempo.

Número 13

O número 13 também carrega uma reputação complicada. Só a partir do século XVII é que começa a surgir com mais força a ideia de que ele é “azarado”. Antes disso, em algumas culturas, o 13 era até considerado um número positivo ou sagrado.

Muitos apontam para a Última Ceia — onde Jesus se reuniu com seus 12 apóstolos — como um dos fatores que tornaram o 13 “misterioso”. É comum ouvir a teoria de que Judas, o traidor, teria sido o 13º convidado, mas essa associação não está claramente documentada nas fontes bíblicas.

A Última Ceia de Leonardo da Vinci, publicada em 1898 por Muller, Luchsinger & Co.
A Última Ceia de Leonardo da Vinci, publicada em 1898 por Muller, Luchsinger & Co.

Como essa supertição ganhou força?

Ao contrário do que muitos acreditam, a superstição de que sexta‑feira 13 é azarada não tem origem ancestral universal. Especialistas em folclore contam que as primeiras referências claras a essa combinação surgem em textos franceses do século XIX — diálogos de peças de teatro e crônicas que mencionam o dia como infeliz ou associado a sofrimentos pessoais.

Essas ideias viajam e se misturam com o folclore popular, e no final do século XIX e início do século XX começam a aparecer em jornais e obras em inglês, difundindo‑se principalmente no mundo anglófono — inclusive nos Estados Unidos — e, com o tempo, no resto do mundo.

Cultura Pop: como o medo aumentou

A popularização moderna da sexta‑feira 13 como um símbolo de má sorte também foi impulsionada pela cultura popular — especialmente pela franquia de filmes de terror Sexta‑Feira 13. O primeiro longa, lançado em 1980, fez desse dia um ícone do horror e consolidou ainda mais sua associação com medo, perigo e acontecimentos assustadores.

Jason Voorhees, do filme "Sexta-Feira 13". (Reprodução: Reuters)
Jason Voorhees, do filme “Sexta-Feira 13”. (Reprodução: Reuters)

Embora os filmes não criem a superstição, eles a reforçam culturalmente, influenciando gerações que crescem associando essa data a situações tensas ou sombrias — mesmo que na prática esses dias não sejam mais azarados que qualquer outro.

Supertições pelo mundo

Nem todas as culturas consideram sexta‑feira 13 azarada. Em países hispânicos, por exemplo, terça‑feira 13 é às vezes vista como um dia de azar — provavelmente por associações linguísticas ou crenças locais.

Na Itália, o número 13 não é tão temido, e em vez disso muitas pessoas evitam a sexta‑feira 17 — outra cifra que carrega conotações negativas por associação à palavra latina VIXI, que significa “minha vida acabou”.

Mas Sexta-feira 13 é realmente azarada?

Apesar de toda a mística, pesquisas e observações práticas sugerem que sexta‑feira 13 não é mais perigosa ou azarada que qualquer outra data. Estudos em hospitais e análises estatísticas mostram que não há aumento de acidentes ou eventos negativos só por causa da data em si — muitas vezes o que muda é a forma como as pessoas percebem o dia por causa da superstição.

Anúncio da Sexta-feira 13 do jornal San Antonio Light, 8 de novembro de 1925. (Reprodução: LOC)
Anúncio da Sexta-feira 13 do jornal San Antonio Light, 08 de novembro de 1925. (Reprodução: LOC)

Ou seja: se você já se pegou evitando sair de casa, reagindo a pequenos imprevistos ou comemorando o fim do dia 13, isso pode ter mais a ver com o poder da crença cultural do que com algum “azar real” controlado pelo calendário.

A superstição da sexta‑feira 13 combina duas ideias que, separadamente, já tinham conotações negativas na história: a sexta‑feira e o número 13. Com o tempo, elas foram agrupadas em uma crença popular que se espalhou pelo mundo através da literatura, imprensa e depois do cinema.

Mas hoje sabemos que essa data é tão “azarada” quanto qualquer outra — o que nos prova que, muitas vezes, o medo está mais na cabeça do que na realidade dos fatos.

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